segunda-feira, 11 de junho de 2012

O PROCESSO DA MENTE

"A coisa mais difícil, quase impossível, para a mente, é permanecer no meio, é permanecer equilibrada. E o mais fácil é movimentar-se de um pensamento para o seu oposto. Movimentar-se de uma polaridade para a polaridade oposta é a natureza da mente. Isso tem que ser entendido muito profundamente, porque sem que você entenda isso, nada poderá levar você à meditação. A natureza da mente é movimentar-se de um extremo a outro, ela depende do desequilíbrio. Se você estiver equilibrado, a mente desaparece. A mente é como uma doença: quando você está desequilibrado ela está ali, quando você está equilibrado ela não está ali. É por isso que é fácil para uma pessoa que come muito fazer jejum. Isso parece sem lógica, porque nós pensamos que uma pessoa que é obcecada por comida não consegue jejuar. Mas você está errado. Somente uma pessoa que é obcecada por comida pode jejuar, porque jejuar é a mesma obsessão no sentido oposto. Na verdade não houve mudança em você. Você continua obcecado por comida. Antes você comia muito e agora você está faminto - mas o foco da mente continua na comida, a partir de um extremo oposto. Um homem que tenha se entregue em demasia ao sexo, pode ser tornar um celibatário muito facilmente. Não há nenhum problema. Mas é difícil para a mente fazer uma dieta certa, é difícil para a mente estar no meio. Porque é difícil estar no meio? Isso é exatamente igual ao pêndulo de um relógio. O pêndulo vai para a direita, e daí se move para a esquerda, então de novo para a direita, e depois de novo para a esquerda. O relógio inteiro depende desse movimento. Se o pêndulo parar no meio, o relógio para. E quando o pêndulo se move para a direita, você pensa que ele está somente indo para a direita. Mas, ao mesmo tempo que ele está indo para a direita, ele está juntando momento* para ir para a esquerda. Quanto mais ele se move para a direita, mais energia ele reúne para se mover para a esquerda, para o oposto. Quando ele está se movendo para a esquerda ele está de novo reunindo momento para se mover para a direita. Sempre que você come demais, você está reunindo momento para fazer jejum. Sempre que você se entrega em demasia ao sexo, mais cedo ou mais tarde, o celibato, o brahmacharya se tornará atraente para você. E o mesmo está acontecendo a partir do polo oposto. Vá e pergunte aos chamados sadhus, aos bhikkhus, aos sannyasins. Eles firmaram um propósito de permanecer celibatários; e agora a mente deles está reunindo momento para se movimentar em direção ao sexo. Eles firmaram um propósito de ficarem com fome, de passar fome e a mente deles está constantemente pensando em comida. Quando você está pensando muito a respeito de comida, isso mostra que você está reunindo momento para comer. Pensar significa momento. A mente começa fazer arranjos para ir ao oposto. A primeira coisa: sempre que você se move, você também está se movendo para o oposto. O oposto está escondido, ele não é aparente. Quando você ama uma pessoa, você está reunindo momento para odiá-la. É por isso que somente amigos podem se tornar inimigos. Você não pode se tornar um inimigo sem que primeiro você tenha se tornado um amigo. Amantes discutem e brigam. Só os amantes podem discutir e brigar, porque a não ser que você ame, como você poderá odiar?A não ser que você tenha se movido para a extrema esquerda, como você poderá se mover para a direita? Pesquisas modernas dizem que isso que se chama amor é um relacionamento de íntima inimizade. Sua esposa é a sua inimiga íntima e seu marido é o seu inimigo íntimo - ambos inimigos e íntimos. Parecem opostos, sem lógica, porque nós ficamos ponderando como alguém que é íntimo pode ser inimigo? Alguém que é amigo, como pode também ser o adversário? A lógica é superficial. A vida vai mais fundo. Na vida, todos os opostos se juntam, eles existem juntos. Lembre-se disso, porque então meditação se torna equilíbrio. Buda ensinou oito disciplinas e para cada disciplina ele usava a palavra certa. Ele dizia: o esforço certo, porque é muito fácil mover-se da ação para a inação, do despertar para o dormir, mas permanecer no meio é difícil. Quando Buda usa a palavra certa, ele estava dizendo: não se mova para o oposto, simplesmente permaneça no meio. A comida certa - ele nunca disse jejum. Não se entregue em demasia à comida e não se entregue ao jejum. Ele dizia: comida certa. Comida certa significa permanecer no meio. Quando você permanece no meio você não está reunindo momento algum. E essa é a beleza disso: um homem que não está reunindo momento algum para se mover a qualquer lugar, pode estar à vontade consigo mesmo, pode se sentir em casa. Você nunca pode se sentir em casa, porque qualquer coisa que você faz, imediatamente você terá que fazer o oposto para equilibrar. E o oposto nunca equilibra, ele simplesmente dá a você a impressão de que você está se tornando equilibrado, mas você terá que se mover para o oposto de novo. Um buda não é amigo nem inimigo de alguém. Ele simplesmente parou no meio - o relógio não está funcionando... Quando a sua mente pára, o tempo pára, quando o pêndulo pára, o relógio pára... O tempo é criado pelo movimento da mente, exatamente como o movimento do pêndulo. A mente se move, você sente o tempo. Quando a mente não está se movimentando, como você pode sentir o tempo? Quando não há qualquer movimento, o tempo não pode ser sentido. Cientistas e místicos concordam nesse ponto: que o movimento cria o fenômeno do tempo. Se você não está se movendo, se você está parado, o tempo desaparece, a eternidade chega à existência. O seu relógio está se movendo rapidamente e o seu mecanismo é movimento de um extremo ao outro. A segunda coisa a ser entendida a respeito da mente é que a mente sempre quer o que está distante, nunca o que está perto. O que está perto é enfadonho, você fica farto dele. O distante lhe dá sonhos, esperanças, possibilidades de prazer. Assim, a mente sempre está pensando no distante. É sempre a mulher de alguma outra pessoa que é atraente e bonita; é sempre a casa de alguma outra pessoa que o obceca; é sempre o carro de alguma outra pessoa que fascina você. É sempre o que está distante. Você fica cego para o que está perto. A mente não consegue ver aquilo que está muito perto. Ela somente pode ver aquilo que está muito longe. E o que está muito longe, o que está mais distante? O que está mais distante é o oposto. Você ama uma pessoa - agora o fenômeno mais distante é o ódio. Você está comendo demais - agora o fenômeno mais distante é o jejum. Você está celibatário - agora o fenômeno mais distante é o sexo. Você é um rei - agora o fenômeno mais distante é ser um monge. O que está mais distante é aquilo com que sonhamos mais. Ele atrai, ele obceca, ele segue chamando, convidando você e então, quando você tiver alcançado o outro pólo, este local de onde você partiu em caminhada se tornará belo novamente. Divorcie-se de sua esposa e após uns poucos anos ela terá ganho beleza novamente... Para a mente, o oposto é magnético e a não ser que, através da compreensão, você transcenda isso, a mente continuará se movendo da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, e o relógio continua. Ele tem continuado por muitas vidas e é assim que você tem sido enganado - porque você não compreende o mecanismo. De novo o distante se torna atraente e de novo você começa uma nova caminhada. E no momento em que você alcança o seu objetivo, aquilo que antes era seu conhecido e que agora está distante, de novo se torna atraente, agora se torna uma estrela, alguma coisa valiosa. Eu estive lendo a respeito de um piloto que estava voando sobre a Califórnia com um amigo. Ele lhe disse: "Veja lá embaixo aquele belo lago. Eu nasci perto dele, ali está a minha vila". Ele apontou para uma pequena vila numa colina próxima ao lago. E ele disse: "Eu nasci ali e quando eu era criança eu costumava sentar próximo ao lago para pescar. Pescar era o meu hobby. Mas naquela época, quando eu era criança e pescava no lago, os aviões sempre costumavam cortar o céu, passando sobre a minha cabeça, e eu sonhava com o dia em que eu próprio me tornaria um piloto e estaria pilotando um avião. Aquele era meu único sonho. Agora ele está realizado e que miséria! Agora eu continuamente olho para aquele lago lá em baixo e fico pensando no dia em que eu estiver aposentado para poder ir pescar nele de novo. Aquele lago é tão lindo..." É assim que as coisas acontecem. É assim que as coisas têm acontecido com você. Na infância você queria crescer depressa porque as pessoas mais velhas eram mais poderosas. Uma criança quer crescer imediatamente. As pessoas mais velhas são sábias e a criança sente que qualquer coisa que ela faça está sempre errado. Pergunte então a uma pessoa mais velha. Ela sempre acha que quando a infância se foi, tudo foi perdido, o paraíso estava ali, na infância. E todos os velhos morrem pensando na infância, na inocência, na beleza, no mundo de sonhos. Qualquer coisa que você tenha, parece sem utilidade; qualquer coisa que você não tenha parece de grande utilidade. Lembre-se disso porque senão a meditação não poderá acontecer, porque meditação significa essa compreensão da mente, do trabalho da mente, do verdadeiro processo da mente. A mente é dialética, ela faz com que você se mova repetidas vezes em direção aos opostos. E isso é um processo infinito, ele nunca se acaba, a não ser que você, de repente, o abandone, a não ser que, de repente, você se torne consciente do jogo, a não ser que, de repente, você se torne alerta a respeito da trapaça da mente, e você pare no meio. Parar no meio é meditação. A terceira coisa: porque a mente consiste em polaridades, você nunca é um todo. A mente não pode ser um todo, ela sempre é metade. Quando você ama alguém, você já observou que você está suprimindo o seu ódio? O amor não é total, ele não é um todo, exatamente atrás dele todas as forças escuras estão escondidas e elas podem entrar em erupção a qualquer momento. Você está sentado em cima de um vulcão. Quando você ama alguém, você simplesmente se esquece de que você tem raiva, de que você tem ódio, de que você é ciumento. Você simplesmente deixa tudo isso de lado, como se isso nunca tivesse existido. Mas como você pode deixar tudo isso de lado? Você pode simplesmente esconder no inconsciente. Assim, na superfície você pode se tornar amoroso, mas lá no fundo o tumulto está escondido. Mais cedo ou mais tarde você vai ficar de saco cheio, o amado terá se tornado familiar. Dizem que a familiaridade cria desprezo, mas não é que a familiaridade cria desprezo - a familiaridade faz você ficar de saco cheio. O desprezo esteve sempre ali, escondido. Ele vem à tona, ele só estava esperando o momento certo, a semente estava ali. A mente sempre tem o oposto dentro dela e esse oposto vai para o inconsciente e fica ali esperando pelo seu momento para vir à tona. Se você observar minuciosamente, você sentirá isso a todo momento. Quando você diz para alguém "eu te amo" feche os seus olhos, seja meditativo, e sinta - existe algum ódio escondido? Você irá senti-lo. Mas você não quer encarar isso porque a verdade é muito feia - a verdade que você sente ódio pela pessoa que você ama - por isso você engana a si mesmo. Você quer escapar da realidade, assim você esconde. Mas, esconder não vai ajudar, porque assim você não está enganando à outra pessoa, você está enganando a si mesmo. Assim, sempre que você sentir alguma coisa, feche os olhos e vá para dentro de si mesmo para encontrar o oposto em algum lugar. Ele está ali. E se você puder ver o oposto, isso dará a você um equilíbrio. Então você não irá dizer "eu amo você". Se você for uma pessoa verdadeira você irá dizer: "meu relacionamento com você é de amor e ódio". Todos os relacionamentos são relacionamentos de amor/ódio. Nenhum relacionamento é puro amor e nenhum relacionamento é puro ódio. Ele é ambos: amor e ódio. Se você for verdadeiro você estará em dificuldades. Se você disser para uma garota: "meu relacionamento com você é ambos: amor e ódio. Eu amo você como nunca amei alguém e eu odeio você como nunca eu odiei alguém", será difícil para você se casar, a não ser que você encontre uma garota meditativa, que possa compreender a realidade, a não ser que você possa encontrar uma amiga que possa compreender a complexidade da mente. A mente não é um mecanismo simples. Ela é muito complexa e através da mente você nunca pode se tornar simples, porque a mente segue criando enganos. Ser meditativo significa estar alerta para o fato de que a mente está escondendo alguma coisa de você, de que você está fechando os olhos para alguns fatos que estão perturbando. Mais cedo ou mais tarde aqueles fatos perturbadores virão à tona, vão se apoderar de você, e você irá em direção ao oposto. E o oposto não está lá longe, num lugar distante, em alguma estrela. O oposto está escondido atrás de você, dentro de você, em sua mente, no próprio funcionamento da mente. Se você puder compreender isso, você irá parar no meio. Se você puder ver o eu amo e o eu odeio, de repente, ambos irão desaparecer, porque ambos não podem existir juntos na consciência. Você tem que criar uma barreira: um terá que existir no inconsciente e o outro no consciente. Ambos não podem existir na consciência, eles irão negar um ao outro. O amor destruirá o ódio, o ódio destruirá o amor, eles terão que equilibrar um ao outro e eles simplesmente irão desaparecer. A mesma quantidade de ódio e a mesma quantidade de amor irão negar um ao outro. De repente eles irão evaporar - você estará ali, mas nenhum amor e nenhum ódio. Então você estará equilibrado. Quando você está equilibrado, a mente não está lá - então você é um todo. Quando você é um todo, você é sagrado, mas a mente não está lá. Assim, meditação é um estado de não-mente. Através da mente esse estado não é alcançado. Através da mente, qualquer coisa que você fizer, ele nunca será alcançado. Então, o que você está fazendo quando você está meditando? Pelo fato de você ter criado tanta tensão em sua vida, você agora está meditando. Mas isso é o oposto da tensão, não a verdadeira meditação. Você está tão tenso que a meditação se tornou atraente. É por isso que no Ocidente a meditação atrai mais do que no Oriente. É porque no Ocidente existe mais tensão do que no Oriente. O Oriente ainda está relaxado, as pessoas não estão tão tensas, elas não estão se enlouquecendo tão facilmente, elas não cometem suicídio tão facilmente. Elas não são tão violentas, tão agressivas, tão apavoradas, tão amedrontadas - não, elas não estão tão tensas. Elas não estão vivendo essa correria louca onde nada além de tensão é acumulado. Assim, se o Mahesh Yogi vier à Índia, ninguém o escutará. Mas na América, as pessoas ficam loucas com ele. Quando existe muita tensão, a meditação atrai. Mas essa atração é de novo a mesma armadilha. Isso não é verdadeira meditação, isso é de novo um engano. Você medita por uns poucos dias, você se torna relaxado e, quando você se torna relaxado, de novo surge a necessidade de atividades. Você fica de saco cheio e a mente começa a pensar em fazer alguma coisa, em se movimentar. As pessoas chegam a mim e dizem: "nós meditamos por alguns anos mas agora isso ficou chato, perdeu a graça". Há poucos dias uma garota veio a mim e disse: "agora a meditação não tem mais graça alguma, o que eu devo fazer?" Agora a mente está procurando por alguma outra coisa, agora ela já teve bastante meditação. Agora que ela já está relaxada, a mente está pedindo por mais tensões - alguma coisa que possa perturbá-la. Quando ela diz que agora a meditação não tem mais graça, ela quer dizer que agora não há mais tensão, assim como pode a meditação ter graça? Ela terá que ir atrás de tensões novamente, aí a meditação de novo se tornará algo valioso. Veja o absurdo da mente: você tem que ir embora para chegar perto, você tem que se tornar tenso para ser meditativo. Mas isso não é meditação, de novo isso é uma trapaça da mesma mente. Numa nova dimensão, o mesmo jogo continua. Quando eu digo meditação, eu quero dizer: ir além das polaridades opostas, deixar de lado todo o jogo, olhar para o absurdo disso e transcendê-lo. A própria compreensão se torna transcendência. A mente forçará você a se mover para o oposto - não se mova para o oposto. Pare no meio e veja que isso tem sido sempre uma trapaça da mente. É assim que a mente tem dominado você - através do oposto. Você já percebeu isso? Depois de fazer amor com uma mulher, você de repente começa a pensar em abstinência sexual, brahmacharya e isso exerce uma fascinação tão persuasiva que naquele momento você sente como se nada mais existisse para ser alcançado. Você se sente frustrado, enganado, você sente que não havia nada naquele sexo e que somente bramacharya contém a felicidade. Mas depois de vinte e quatro horas, o sexo de novo se torna importante, e de novo você se move para ele. O que a mente está fazendo? Depois do ato sexual ela começa a pensar no oposto, o qual, de novo, cria a vontade do sexo. Um homem violento começa a pensar na não-violência, então ele poderá facilmente se tornar violento de novo. Um homem que fica raivoso repetidamente, sempre pensa em não ter raiva, sempre decide não ficar raivoso novamente. Essa decisão ajuda-o a ficar com raiva de novo. Se você realmente não quiser ficar raivoso de novo, não tome decisão contra a raiva. Simplesmente olhe para a raiva e olhe para essa sombra da raiva que você pensa que é não ter raiva. Olhe para o sexo e para essa sombra do sexo que você pensa que é brahmacharya, abstinência sexual. Isso é só negatividade, ausência. Olhe para o excesso do comer e para a sua sombra que é o jejum. Jejuns sempre seguem o comer demais, a indulgência demasiada é sempre seguida por votos de celibato; a tensão é sempre seguida por algumas técnicas de meditação. Olhe para essas coisas juntas, sinta como elas estão relacionadas, como elas são parte de um só processo. Se você puder compreender isso, a meditação acontecerá em você. Na verdade, ela não é algo a ser feito, ela é uma questão de compreensão. Ela não é um esforço, ela não é algo a ser cultivado. Ela é algo a ser profundamente compreendido. Compreensão dá liberdade. Conhecer todo o mecanismo da mente é transformação. Então, de repente, o relógio pára, o tempo desaparece. E parando o relógio, não existe mente. Parando o tempo, onde você está? O barco está vazio. O homem do Tao age sem impedimentos.... Você age sempre com impedimentos, o oposto está sempre ali criando o impedimento, você não é um fluxo. Se você ama, o ódio está sempre ali como um impedimento. Se você se movimenta, alguma coisa está puxando você para trás, você nunca se move totalmente, alguma coisa sempre fica para trás, o movimento não é total. Você se move com uma perna, mas a outra perna não se move. Como você pode se mover? O impedimento está ali. A sua angústia, a sua ansiedade é esse impedimento, é essa contínua movimentação de uma metade e não movimentação da outra metade. Por que você está tão angustiado? O que cria tanta angústia em você? Qualquer coisa que você faz, porque você não fica feliz fazendo aquilo? A felicidade somente pode acontecer para o todo, nunca para a parte. Quando o todo se movimenta sem qualquer impedimento, o próprio movimento é felicidade. Felicidade não é alguma coisa que vem de fora - ela é uma sensação que vem quando o seu Ser como um todo se movimenta, o próprio movimento do todo é felicidade. Não é alguma coisa acontecendo para você, ela surge a partir de você, ela é uma harmonia no seu Ser. Se você está dividido - e você está sempre dividido: metade se movendo, metade segurando; metade dizendo sim, metade dizendo não; metade amando, metade odiando. Você é um reino dividido, existe um conflito constante dentro de você. Você diz alguma coisa mas aquilo nunca é o que você quer dizer, porque o oposto está ali impedindo, criando uma barreira... A mente entra quando você está dividido. A mente se alimenta com a divisão. É por isso que Krishnamurti segue dizendo que quando o observador se torna o observado, você está em meditação... Sempre que a mente entra, ela entra como uma força controladora, um administrador. Ela não é o mestre, ela é o administrador. E você não chega até o mestre se o administrador não for colocado de lado. O administrador não permite que você alcance o mestre, o administrador sempre se mantém de pé diante da porta, controlando. E todos os administradores administram mal - a mente tem feito um grande trabalho de má administração... Lao Tzu disse: quando não havia nem um simples filósofo, tudo se resolvia, não haviam perguntas e todas as respostas estavam disponíveis. Quando os filósofos surgiram, as perguntas vieram e as respostas desapareceram. Sempre que há uma pergunta, a resposta está muito longe. Sempre que você pergunta, você nunca obtém a resposta, mas quando você pára de perguntar, você descobrirá que a resposta sempre esteve ali... O que é felicidade? Felicidade é a sensação que surge em você quando o observador se torna o observado. Felicidade é a sensação que surge em você quando você está em harmonia, não fragmentado, uma unidade, não desintegrado, não dividido. Essa sensação não é algo que vem de fora. Ela é a melodia que cresce em você a partir da sua harmonia interior... O sol está nascendo... de repente você olha e o observador não está ali. O sol não está ali e você não está ali. Não há nenhum observador e nenhum observado. Simplesmente o sol está nascendo e a sua mente não está ali para controlar. Você não vê e diz: "o sol está lindo". No momento que você disser, a felicidade foi perdida. Então já não existe nenhuma felicidade, ela já se tornou passado, ela já se foi. De repente você vê o sol nascendo e aquele que vê não está ali, aquele que vê ainda não entrou, ainda não se tornou um pensamento. Você ainda não olhou, não analisou, ainda não observou. O sol está nascendo e ali não existe ninguém, o barco está vazio, existe felicidade, um vislumbre. Mas a mente imediatamente entra e diz "o sol está lindo, esse nascer do sol está lindo". A comparação entrou e a beleza foi perdida. Aqueles que sabem, dizem que sempre que você diz: "eu te amo" para uma pessoa, o amor foi perdido. O amor se foi porque o amante entrou. Como pode existir amor quando a divisão, o controlador entra? É a mente que diz: "eu te amo", porque, na verdade, no amor não existe nenhum eu e nenhum tu. No amor não existem indivíduos. O amor é uma fusão, uma dissolução, eles não são dois. O amor existe, não os amantes. No amor, o amor existe, não os amantes, mas a mente entra e diz: "eu estou amando, eu te amo". Quando o "eu" entra, a dúvida entra, a divisão entra e o amor não está mais ali. Muitas vezes em meditação você tem alguns vislumbres. Lembre-se: sempre que você sentir tais vislumbres, não diga: "quão belo é", não diga "quão amoroso é", porque é assim que você perde o vislumbre. Sempre que o vislumbre vier, deixe que ele esteja ali...Quando em meditação você tiver um vislumbre de algum êxtase, deixe que ele aconteça, deixe-o ir fundo. Não divida a si mesmo. Não faça qualquer declaração, senão o contato será perdido. " OSHO - The Empty Boat Swami Dharma Grahi – (Célio José Bighetti) – Discípulo do Osho.

terça-feira, 5 de junho de 2012

ORIGEM E CURA DAS DOENÇAS NO CORPO

ORIGEM E CURA DAS DOENÇAS NO CORPO Uma doença, qualquer enfermidade, surge primeiro na mente e depois se dirige para o corpo. Pode levar um longo tempo para chegar ao corpo – trata-se de uma longa distancia. Você não tem consciência dela quando ela está na mente; você só se torna ciente dela quando ela explode nas raízes do corpo. Você sempre sente a doença no corpo, mas ela se origina sempre na mente. Você não está ciente dela então; assim, não pode fazer nada quanto a isso. Mas, quando ela vem para o corpo, então, naturalmente, você começa a procurar um médico, vai à busca de auxilio. O médico, vendo-a no corpo, começa a trata-la no corpo. Ela pode ser tratada no corpo – mas então alguma outra doença surgirá, porque o tratamento não atingiu a fonte. Você muda o efeito e não a causa. Se a mudança puder acontecer na mente, então, a doença desaparecerá do corpo imediatamente. É isso que a moderna pesquisa sobre hipnose prova: que toda doença, pelo menos no princípio, pode ser transformada, mudada, pode sumir, se a mente for mudada. E o inverso também é verdadeiro: se a mente for convencida pela hipnose, então a doença pode ser criada também. Dois ou três dias atrás, alguém me enviou um artigo de profunda significância. Um homem - um médico, um médico na Califórnia – tratou muitos pacientes de câncer apenas através da imaginação. Esta é a primeira chave que abre a porta... E não só um paciente, muitos. O que ele faz: ele simplesmente pede aos pacientes que imaginem. Se eles têm câncer de garganta, ele lhes diz para relaxar e imaginar que toda a energia do corpo se move para a garganta e o tumor vai sendo atacado pela própria energia deles, exatamente como flechas vinda de algum lugar, de todo lado, movendo-se em direção à garganta e atacando a doença. Dentro de três, quatro ou seis semanas o tumor simplesmente desaparece sem deixar um traço atrás. E o câncer é considerado incurável! O câncer é uma doença moderna: ela se deve ao estresse, à tensão e a ansiedade da vida. Mas se o câncer pode ser tratado através da mente, então, tudo pode ser tratado através da mente. Osho. Swami Dharma Grahi –(Célio José Bighetti) – Discípulo do Osho.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

MEDITAÇÃO BASEADA NO CORPO

“O espiritual nunca pode ser tenso. Não existe tensão espiritual, somente tensão corporal, somente tensão mental. A tensão corporal foi criada por aqueles que, em nome da religião, têm pregado atitudes anticorpo. No Ocidente, Cristianismo tem sido enfaticamente antagonista com relação ao corpo. Uma falsa divisão, um golfo foi criado entre você e seu corpo; sua atitude total se torna geradora de tensão. Você não pode comer de uma maneira relaxada, você não pode dormir de uma maneira relaxada; toda ação corporal se torna uma tensão. O corpo é o inimigo, porém você não pode existir sem ele. Você tem que permanecer com ele, você precisa viver com seu inimigo, desse modo, há uma constante tensão; você não pode relaxar nunca. O corpo não é seu inimigo, nem é de maneira nenhuma inamistoso ou mesmo indiferente a você. A própria existência do corpo é alegria. E no momento que você toma o corpo como um presente, como um presente divino, você estará de volta no corpo. Você o amará, você o sentirá – e são sutis as maneiras de senti-lo. Você não pode sentir o corpo do outro se você não sentiu o seu próprio corpo, você não pode amar o corpo do outro se você nunca amou seu próprio corpo; isso é impossível. Você não pode cuidar do corpo de outra pessoa se você não cuidou de seu próprio corpo – e ninguém se importa! Você pode dizer que se importa. Mas eu insisto, ninguém se importa. Mesmo que você demonstre se importar, você realmente não se importa. Você está cuidando por alguma outra razão – por causa da opinião dos outros, pelo olhar nos olhos de alguém; você nunca cuida de seu corpo você mesmo. Você não ama seu corpo, e se você não pode amá-lo, você não pode estar nele. Ame seu corpo e você irá sentir um tal relaxamento que você nunca sentiu antes. Amor é relaxamento. Quando existe amor, existe relaxamento. Se você ama alguém – se, entre você e ele ou entre você e ela, existe amor – então com o amor chega a música do relaxamento. Assim o relaxamento está presente. Esse mesmo fenômeno acontece se você amar seu corpo; você se torna relaxado, você tem cuidado com isso. Isso não é errado, não é narcisismo estar apaixonado pelo próprio corpo. Na verdade, é o primeiro passo em direção a espiritualidade. Eis porque a Meditação Dinâmica começa com o corpo. Através da respiração vigorosa a mente se expande, a consciência se expande; o corpo inteiro torna-se uma existência vibrante, viva. Agora o salto será mais fácil. Agora você pode saltar; pensando que a barreira será menor. Você se tornou uma criança novamente: saltitante, vibrante, viva. O condicionamento, o condicionamento mental não está mais presente. Seu corpo não é tão condicionado como sua mente. Lembre-se disso: sua mente é condicionada, mas seu corpo ainda é parte da natureza. Todas as religiões e pensadores religiosos – que têm sido basicamente cerebrais – são contra o corpo porque com o corpo, com os sentidos, a mente e seus condicionamentos ficam perdidos. … Com a respiração, você começa a sentir seu corpo inteiro, cada canto dele; o corpo fica inundado; você se torna um com ele. Agora é possível para você dar um salto. O salto que é dado no sexo é um salto muito pequeno, enquanto que o salto que é dado na meditação é um salto muito grande. No sexo, você “pula” em alguém. Antes desse salto você precisa estar unido com o seu corpo, e nesse salto você precisa se expandir ainda mais – para o corpo do outro. Sua consciência se espalha além de seu corpo. Em meditação você salta de seu corpo para o corpo inteiro do universo, você se torna um com ele. O Segundo passo da Meditação Dinâmica é catártico. Você não somente se tornará um com o seu corpo, mas todas as tensões que foram acumuladas no corpo precisam ser jogadas fora. O corpo precisa tornar-se leve, descarregado, desse modo os movimentos precisam ser vigorosos, tão vigorosos quanto possível. Então a mesma coisa que é possível na dança Dervixe, na dança Sufi, se torna possível. Se seus movimentos forem vitais e vigorosos, chegará o momento no qual você perderá todo o controle. E esse momento é necessário. Você não precisa estar no controle porque seu controle é a barreira, você é a barreira. Sua capacidade de controlar – sua mente – é a barreira. Continue se movendo. É claro, você terá que começar, mas chegará um momento que você será tomado; você irá sentir que o controle está perdido. Você está na beira, agora você pode dar o salto. Agora você novamente se tornou uma criança. Você voltou; todos os condicionamentos foram eliminados. Você não se preocupa com coisa alguma; você não se importa com o que os outros pensam. Agora tudo que foi colocado em você pela sociedade é jogado fora; você se tornou apenas uma partícula dançante no universo. Quando você joga tudo for a no segundo estágio da Meditação Dinâmica, só então o terceiro estágio é possível. Sua identidade estará perdida, sua imagem será partida, porque tudo que você sabe sobre você mesmo não é sobre você mesmo senão apenas um rótulo. Disseram-lhe que você é isso ou aquilo e você ficou identificado com isso. Mas com os movimentos vigorosos, com a dança cósmica, todas as identificações serão perdidas pela primeira vez, como você era quando você nasceu. E com esse novo nascimento você será uma pessoa renovada”.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

O QUE É AMOR

O que é amor? por Osho do livro "Sufis, o Povo do Caminho" É triste que tenhamos de fazer esta pergunta. No curso natural das coisas, todos saberiam o que é amor. Mas entendo que ninguém saiba - ou apenas muito raramente - o que é amor. O amor tornou-se uma das mais raras experiências. Sim, fala-se sobre ele, filma-se, estórias são escritas sobre ele, canções são compostas, filmes são feitos, na televisão você o verá, no rádio, nas revistas - uma grande indústria continuamente o supre com a ideia do que é o amor. Muitas pessoas estão continuamente envolvidas nisso, ajudando as pessoas a entenderem o que é o amor. Poetas, autores, novelistas - todos eles continuam. Mas ainda assim o amor permanece um fenômeno desconhecido. E deveria ser um dos mais conhecidos. É quase como se alguém viesse e perguntasse: "O que é comida?" Você não ficaria surpreso se viesse alguém é perguntasse: "O que é comida?" Se alguém tem passado fome desde o início e nunca experimentou comida, a pergunta será relevante. Assim é esta pergunta. Você pergunta: O que é amor? Amor é o alimento da alma. Mas você tem passado fome. Sua alma não recebeu nenhum amor, por isso você não lhe conhece o sabor. Sua pergunta é relevante, mas é infeliz. O corpo recebeu alimento, por isso ele continua; mas a alma não recebeu nenhum alimento, por isso a alma está morta, ou não nasceu ainda, ou está sempre em seu leito de morte. Quando uma criança nasce, ela nasce totalmente; ela está totalmente equipada com a capacidade de amar e de ser amada. Toda criança nasce cheia de amor e sabe perfeitamente o que ele é. Não há nenhuma necessidade de se dizer à criança o que é amor. O problema surge porque a mãe e o pai não sabem o que é amor. Nenhuma criança tem os pais que merece - nenhuma criança jamais tem os pais que merece. Esses pais simplesmente não existem na terra. E quando essa criança se tornar um pai, ela terá perdido a capacidade de amar. É quase como... No México há um vale onde as crianças nascem e, em três meses, ficam cegas. É uma sociedade pequena, primitiva. Lá existe uma mosca que é venenosa aos olhos, por isso a sociedade toda é cega. Toda criança nasce com olhos - olhos funcionando perfeitamente - mas em três meses há um ataque da mosca e o veneno entra no sistema e os olhos ficam cegos. Bem, mais tarde na vida, a criança perguntará: "O que são olhos? O que você quer dizer quando usa a palavra "olho"? O que é visão? O que é ver? O que você quer dizer?" E a pergunta será relevante. A criança nasceu com olhos, mas eles foram perdidos em algum lugar no caminho daquilo a que se chama crescimento. Eis o que aconteceu com o amor. Toda criança nasce com tanto amor quanto se pode conter, com mais amor do que se pode conter, com amor transbordante. A criança nasce como amor, a criança é feita da matéria chamada amor. Mas os pais não podem dar amor. Eles têm suas próprias sobras - os pais deles nunca os amaram. Os pais podem apenas fingir. Eles podem falar sobre o amor. Eles podem dizer: "Nós o amamos muito", mas, o que quer que eles façam, é muito desamoroso. O modo como eles se comportam, o modo como tratam a criança é muito insultante; não há nenhum respeito. Nenhum pai respeita a criança. Quem pensa em respeitar uma criança? Uma criança de forma alguma é considerada uma pessoa. Uma criança é considerada um problema. Se ela fica quieta, é boa; se não grita, se não é um terapeuta primal - bom; se ela fica fora do caminho dos pais - perfeitamente bom. Assim é que uma criança deveria ser. Mas não há nenhum respeito e nenhum amor. Os pais não conheceram o que é amor. A mãe não amou o marido, o marido não amou a esposa. O amor não existe aí. O domínio, a possessividade, o ciúme, e todos os demais tipos de veneno que destroem o amor estão aí. Assim como certo veneno pode destruir sua visão, o veneno da possessividade e do ciúme também destroem o amor. O amor é uma flor muito frágil. Ele tem de ser protegido, tem de ser reforçado, tem de ser aguado; só então é que ele se torna forte. E o amor da criança é muito frágil - naturalmente - pois a criança é frágil, seu corpo é frágil. Você acha que uma criança deixada sozinha será capaz de sobreviver? Pense como o homem é indefeso. Se uma criança for deixada sozinha, será quase impossível ela sobreviver. Ela morrerá. E isso é o que está acontecendo ao amor. O amor é deixado sozinho. Os pais não podem amar, não sabem o que é amor, nunca fluíram no amor. Lembre-se de seus próprios pais. E, lembre-se, não estou dizendo que eles sejam responsáveis. Eles são vítimas, assim como você - os próprios pais deles eram a mesma coisa. E assim por diante... Você pode voltar a Adão e Eva, a Deus, o Pai. Parece que mesmo Deus, o Pai, não teve muito respeito por Adão e Eva, não teve respeito bastante. É por isso que, desde o início, Ele começou a comandá-los. "Faça isso" e "não faça aquilo", e Ele começou a fazer todas as bobagens que todos os pais fazem. "Não coma a fruta desta árvore". E quando Adão comeu a fruta, o Pai, Deus, ficou tão bravo que expulsou Adão e Eva do paraíso. Essa expulsão está sempre aí, e todo pai ameaça expulsar a criança, jogá-la para fora. "Se você não escutar, se não se comportar, será expulso". E, naturalmente, uma criança tem medo. Expulsa? Ela começa a se comprometer. A criança pouco a pouco se torna um distorcedor. Ela começa a manipular. Ela não quer sorrir, mas se a mãe está vindo e a criança quer leite, ela sorri. Isso é política - o início, o ABC da política. No fundo, ela começa a odiar, porque ela não é respeitada; no fundo, ela começa a sentir-se frustrada por não ser amada como é. Espera-se que ela faça certas coisas e somente então é que ela será amada. O amor tem algumas condições; ela não é digna, assim como é. Primeiro ela tem de se tornar digna, depois o amor dos pais será possível. Assim, ela começa a se tornar digna e começa a se tornar falsa; ela perde seu valor intrínseco. Pouco a pouco seu respeito por si próprio é perdido, ela começa a sentir-se indigna. Ela começa a sentir-se culpada. E muitas vezes uma ideia vem à mente da criança: "Esses são meus pais verdadeiros? É possível que eles tenham me adotado? Talvez eles estejam me enganando, porque não parece haver nenhum amor". E mil e uma vezes ela vê a raiva nos olhos deles, a feia raiva na face dos pais, e por coisas tão pequenas que ela não pode ver a proporção disso. Apenas por coisas muito pequenas ela vê a ira dos pais. Ela não pode acreditar nisso. É tão injusto e desleal. Mas ela tem de se entregar, tem de se curvar, tem de aceitar isso como uma necessidade. Pouco a pouco sua capacidade de amar é morta. O amor cresce apenas no amor. O amor precisa de um ambiente de amor - isso é a coisa mais fundamental a ser lembrada. Apenas num ambiente de amor é que o amor cresce. Ela precisa do mesmo tipo de pulsação ao redor. Se a mãe é amorosa, se o pai é amoroso, não apenas com a criança, se eles são amorosos um com o outro também, se a casa tem uma atmosfera amorosa onde o amor floresce, a criança começará a funcionar como um ser amoroso, e nunca fará a pergunta: "O que é amor?" Ela o conhecerá desde o próprio início, ele se tornará seu alicerce. Mas isso não acontece. É triste, mas isso não tem acontecido até agora. E você aprende os modos de seus pais, seus resmungos, seus conflitos. Simplesmente fique se observando. Se você for uma mulher, observe. Você talvez esteja repetindo, quase repetindo, a maneira como sua mãe costumava se comportar. Observe-se quando você estiver com seu namorado ou com seu marido - o que você está fazendo? Não está repetindo? Se você for um homem, observe! O que está fazendo? Você não está sendo seu pai? Não está fazendo a mesma tolice que ele costumava fazer? E um dia você ficou surpreso - "Como papai pôde fazer isso?" - e você está fazendo o mesmo. As pessoas ficam repetindo; as pessoas são imitadoras; o homem é um macaco. Você está repetindo seu pai ou sua mãe e isso tem de ser abandonado. Somente então você saberá o que é amor, caso contrário, você permanecerá corrompido. Eu não posso definir o amor, porque não há nenhuma definição de amor. É uma dessas coisas indefiníveis como o nascimento, a morte, Deus, meditação. É uma dessas coisas indefiníveis - eu não posso defini-lo. Não posso dizer que isso é amor, não posso mostrá-lo a você. Ele não é um fenômeno visível. Ele não pode ser dissecado, não pode ser analisado; só pode ser experimentado. E só através da experiência é que você sabe o que é. Mas eu posso lhe mostrar o caminho para experimentá-lo. O primeiro passo é: livre-se de seus pais. E com isso não quero dizer nenhum desrespeito a seus pais, não. Eu seria a última pessoa a lhe dizer isso. Eu não quero dizer para você livrar-se de seus pais fisicamente, eu quero dizer para você livrar-se das vozes paternas interiormente, o seu programa interior, suas fitas interiores. Apague-os... e ficará surpreso ao constatar que se se livrar de seus pais no seu ser interior, você se tornará livre. Pela primeira vez, você será capaz de sentir compaixão por seus pais - caso contrário, não; você permanecerá ressentido. Toda pessoa é ressentida em relação a seus pais. Como você pode não ser ressentido se eles causaram tanto dano a você - embora não conscientemente? Eles desejavam o melhor para você, eles queriam fazer tudo pelo seu bem-estar. Mas o que eles podem fazer? Simplesmente por querer, nada acontece; só por boas intenções, nada acontece. Eles são bem intencionados, isso é verdade. Não há nenhuma dúvida sobre isso. Todo pai quer que a criança tenha todas as alegrias da vida. Mas o que ele pode fazer? Ele é um robô e, consciente ou inconscientemente, deliberadamente ou não, ele criará uma atmosfera na qual a criança mais cedo ou mais tarde, será transformada num robô. Se você quiser tornar-se um homem, não uma máquina, livre-se de seus pais. E você terá de observar. É um trabalho pesado, trabalho árduo; você não pode fazê-lo instantaneamente. Terá de ser muito cuidadoso no seu comportamento. Observe quando sua mãe estiver aí, funcionando através de você - pare com isso, afaste-se disso. Faça algo absolutamente novo que sua mãe nem mesmo pudesse conceber. Por exemplo, seu namorado está olhando para alguma outra mulher com muita admiração nos olhos. Agora observe o que você está fazendo. Está fazendo o que sua mãe teria feito no caso de seu pai olhar para outra mulher com admiração? Se fizer isso, nunca saberá o que é amor, você simplesmente estará repetindo uma estória. Será o mesmo ato sendo desempenhado por atores diferentes, é tudo; o mesmo ato apodrecido sendo repetidas muitas e muitas vezes. Não seja um imitador, caia fora disso. Faça algo novo. Faça algo que sua mãe não pudesse ter concebido. Faça algo novo que seu pai não pudesse ter concebido. Essa inovação tem de ser trazida a seu ser, então o amor começará a fluir. Postado por : Swami Dharma Grahi – (Célio José Bighetti) – Discípulo do Osho.

sábado, 12 de maio de 2012

VOCÊ JÁ É O QUE ESTÁ PROCURANDO

“Como é possível que pela simples conscientização de um ponto específico do processo da respiração, alguém possa alcançar a iluminação? Como é possível tornar-se livre da inconsciência pela simples conscientização de uma pausa mínima e momentânea na respiração?” Essa pergunta é importante e deve ter ocorrido a muitas mentes. Muitas coisas têm de ser compreendidas. Primeiro: pensa-se que a espiritualidade é uma realização difícil. Não é “uma coisa nem outra”: isto é, não é difícil nem é uma realização. Seja você quem for, já é espiritual; não há nada de novo a ser acrescentado ao seu ser. E nada precisa ser descartado do seu ser: você é o mais perfeito possível. Não é uma questão de se tornar perfeito em algum tempo no futuro ;não é uma questão de fazer algo árduo para ser você mesmo. Não é uma viagem para outro ponto em algum outro lugar; você não está indo a lugar algum. Você já está ai. O que existe para ser alcançado já foi alcançado. Esta ideia deve penetrar fundo. Só então você será capaz de entender por que técnicas tão simples podem ajudar. Se a espiritualidade fosse alguma realização, então naturalmente, seria difícil – não só difícil, mas realmente impossível. Se você já não fosse espiritual, não poderia vir a ser. Não poderia nunca, porque como pode alguém que não é espiritual tornar-se espiritual? Se você já não fosse divino, não haveria possibilidade: não haveria meio. E não importa que esforços fizessem; o esforço feito por alguém que já não é divino não pode criar a divindade. Seria impossível. Mas o ponto, na verdade, é totalmente oposto: você já é aquilo que deseja alcançar. O objetivo do desejo já está ai, presente em você. Aqui e agora, neste exato momento, você é aquilo que é conhecido como divino. O Supremo está aqui; já está acontecendo. É por isso que as técnicas simples podem ajudar. Não é uma realização, mas uma descoberta. Está escondido em pequeníssimas coisas. A “persona” é exatamente como as roupas: seu corpo está presente, escondido sob as roupas. Da mesma forma sua espiritualidade está presente, escondida sob certas roupas. Essas roupas são sua personalidade. Você pode ser desnudado em sua espiritualidade também. Mas você não sabe quais são as roupas. Você não sabe como está escondido nelas, não sabe como ficar nu. Você tem estado vestido há tanto tempo --- durante vidas e vidas você tem estado vestido --- e ficou tão identificado com elas que agora não percebe que elas são roupas. Você pensa que elas são você: essa é a única barreira. Por exemplo: você tem um tesouro, mas se esqueceu ou ainda não reconheceu que é um tesouro e continua mendicando nas ruas: você é um mendigo. Se alguém lhe disser: “Vá e olhe dentro da sua casa: você não precisa ser um mendigo; pode ser um imperador agora mesmo”, o mendigo tenderá a responder: “Que bobagem você está dizendo imperador neste exato momento”? Tenho estado mendicando há anos e ainda sou um mendigo e, mesmo que eu peça esmolas por muitas vidas, não me tornarei um imperador. Assim, é absurdo e ilógico a sua declaração de que “você pode ser um imperador agora mesmo”. É impossível. O mendigo não pode acreditar. Por quê? Porque a mente mendicante é um hábito antigo. Mas, se o tesouro está escondido em sua própria casa, então simplesmente cavando, tirando um pouquinho de terra, o tesouro vai aparecer. E, imediatamente, você não será mais um mendigo: tornar-se-á um imperador. Acontece o mesmo com a espiritualidade. É um tesouro escondido. Não há nada para ser alcançado em algum lugar o futuro. Você ainda não o reconheceu, mas ela está já está em você. Você é o tesouro, mas continua mendigando. Célio José Bighetti – Psicoterapeuta Holístico e Instrutor de Meditação.

TANTRA

T A N T R A Quando o sexo for apenas um impulso inconsciente e mecânico dentro de você, estará errado. Lembre-se de que o sexo não é errado, é esse caráter mecânico que está errado. Se você puder trazer a luz de uma inteligência em sua sexualidade, essa luz irá transformar a sexualidade. Já não será sexualidade, será algo completamente diferente, tão diferente que você sequer possui uma palavra para isso. No Oriente temos uma palavra, “tantra”. No Ocidente não há nenhuma palavra. Quando o sexo se junta, quando está entrelaçado com a inteligência, uma energia completamente nova é criada, e essa energia é chamada “tantra”. A palavra “tantra” significa a capacidade de expansão, aquilo que continua a expandir. O sexo reduz você, o tantra expande. É a mesma energia, mas ela faz uma virada. Não é mais egoísta, autocentrada. Começa a se espalhar por toda a existência. No sexo, por um momento você pode atingir o orgasmo, e o custo é alto. No tantra você pode viver em orgasmo durante todo o dia, porque sua própria energia se torna orgástica. E seu encontro não é mais com um individuo específico, seu encontro é com o universo em si. Você vê uma árvore, uma flor, uma estrela, e há algo similar ao orgasmo acontecendo. A pessoa que se tornou completamente inteligente, alerta, desperta, vive de forma orgástica. Todos os seus movimentos estão cheios de picos orgásticos, picos atrás de picos. E quando o tantra tiver acontecido, o sexo desaparece. O sexo é uma semente, o tantra é a árvore. Osho - Osho de A a Z Swami Dharma Grahi-(Célio José Bighetti) – Discípulo do Osho.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

ONDE SE PODE ENCONTRAR SEMPRE A FELICIDADE

Procure no dicionário pela letra “f”- apenas ali você encontrará sempre a felicidade. Na vida, as coisas são muito misturadas. Dia e noite estão juntos, felicidade e infelicidade também . A vida e a morte estão juntas, assim como tudo está. A vida é rica por causa das polaridades opostas. A própria idéia de que se gostaria de ser feliz para sempre é estúpida. A própria idéia trará apenas infelicidade e nada mais. Você se tornará cada vez mais miserável, porque estará cada vez mais perdendo a sua chamada “felicidade eterna”. A sua ganância é demais.
Então quem é a pessoa feliz? A pessoa feliz não é aquela que está sempre feliz. A pessoa feliz é aquela que é feliz mesmo quando há infelicidade. Tente entender isso. A pessoa feliz é aquela que entende a vida e aceita as suas polaridades. Ela sabe que o sucesso é possível apenas porque o fracasso também é possível. Por isso quando o fracasso vem, ela o aceita.
Lembro-me de um incidente em minha infância. Um grande lutador de luta livre havia chegado na m8nha cidade. Todos eram muito interessados em luta livre, assim, a cidade inteira se reuniu. Eu vi muitos lutadores em minha vida, mas ele era realmente raro. Havia algo especial nele.
Durante dez dias a luta livre continuou, e todo dia ele derrotava um lutador famoso. Finalmente, ele foi declarado o vencedor. No dia em que ele foi declarado vencedor, saiu pela cidade e tocou os pés das dez pessoas que ele havia derrotado.
Todos ficaram perplexos com o que ele fez. Eu era uma criança pequena, fui até ele e perguntei: “Por que você fez isso? É estranho”.
Ele disse: “Eu sou vitorioso apenas por causa deles. Se eles não tivessem sido derrotados, se eles não tivessem permitido serem derrotados, eu não seria vitorioso. Assim, eu devo isso a eles. Como eu poderia ser vitorioso sem eles? Minha vitória depende da derrota deles, minha vitoria não é independente deles. Eu, realmente, me sinto muito grato a eles. Havia somente uma alternativa: ou eu seria derrotado ou eles seriam derrotados. E eles são pessoas boas, eles aceitaram a derrota”.
Essa é uma idéia Sufi ou Zen. As coisas são interdependentes: sucesso/fracasso, felicidade/infelicidade, verão/inverno, juventude/velhice, beleza/feiura – todos são interdependentes, eles existem juntos. E o homem que começa buscar um polo contra o outro está se envolvendo em problemas desnecessários. Isso não é possível, ele está desejando o impossível, e ele ficará muito frustrado.
Então, qual deveria ser a atitude? Quando a felicidade vier, curta a felicidade; quando a infelicidade vier, curta a infelicidade. Quando houver felicidade, dance com ela; quando houver infelicidade, chore com ela. E a isso que quero me referir quando digo “curta”. Infelicidade é uma necessidade. Se você puder aceitar a infelicidade tão suavemente quanto você recebe a felicidade, você transcenderá ambas. Nessa própria aceitação está a transcendência. Então a felicidade e a infelicidade não farão muita diferença para você, você permanecerá o mesmo .Quando houver tristeza, você experimentará o sabor dela, e quando houver alegria você também experimentará o seu sabor. E, às vezes, coisas amargas também são saborosas.